Inocente do que não se protege em catedrais ou em lugares sagrados. Ou
até naquilo que se protege e cuida dos perigos da vida. Seria se não soubesse
da bomba atômica, mas da ciência do voo do pássaro, soubesse medir distâncias e
encantos. Não é inocente feito uma mulher que se abre em templo, nem nas
atitudes desmedidas de crianças, seus deslimites ocupa espaços que nos levam a
estar em outras partes, ora juntos ora separados, mas sempre em viagens de
sóis, bebendo dos cântaros as sonoridades da luz. É uma inocência diferente que
os fazem ver como não inocente (por mentalidades), mas não é a mulher inocente
que se transforma em mulher imoral (transgredir, como a mãe que conta histórias
fantasiadas para os niños), quando escutar o segredo maior está no vento. O
resíduo inocente não é o prazer do texto. O resíduo é a parte que sobra e que
não pode ser julgado por coletividade alguma, aquilo que se transforma e se
recria, as respostas do autor póstumo, as dobras, a encenação da obra, que já
não está no momento anterior em que foi significado como alguma coisa, mas está
na paisagem que o gera.Porque a infância não está na infância está na face com
o vento que a gera. Por esta vem a inocência, uma qualidade infante de estar
sempre outra para o mundo. Nascendo ao instante, ao apelo, à deriva, aos
litorais, tocando todas as margens. Ao amor? Qual o prazer?
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quarta-feira
terça-feira
domingo
Ao redor de um amor
o passado regressa num espectro de mulher
soletro os dias na espera do amor
para chorar em qualquer habitação segura
e derramar nos móveis todos os papéis queimados
você olha o vidro as folhagens de cedro
e sabe não deter nada
enquanto um passo ao redor do teu
retoma a narrativa do que nunca se disse
parado num arco de corda
na moldura guarnecida
ela acena e retorna
ao que soubesse do amor
nada avisa nada detém
me infiltrei no assoalho de tantas voltas
retorci o arco desta arpa
num giro de dança
o amor não assina debaixo do desenho
não marca os caminhos
não marca os caminhos
quarta-feira
Dizer está sempre fora do que dizemos.
Dizer está sempre
fora do que dizemos
Um.
Dizer está sempre fora do que dizemos
o ato se reproduz em deslocamentos
volta antes e me encontro depois
a língua se desdobra fora do contorno ao redor
dos teus lábios lentamente ao redor da sala meus
passos
haveria na gaveta o esquecimento de papéis
amarelados
em que não pude registrar e contornei as dobras
de um lado ao outro por personagens
sempre brandos que não viveriam na gaveta
porque a vida diferente do amor
era sempre antes da janela e da despedida
enquanto esquecia os papéis me acenavam
esquecia as estações e o mar em marulhos
fustigando as leis do som como dois sóis
expelindo dentro da sequência de letras
nunca fiquei dentro do que sabia existir
o círculo do registro e o aceno
estou sempre fora do que digo
aceno na pele o que suponho melhor você
Dois.
Você disse
catástrofe enquanto eu me dirigia levemente
ondulante e distraída para a cozinha
depois do mar da praia do azul do invólucro
de pensar que caminhava sozinha sobre meus pés
você disse direcionava os olhos para as xícaras
postas no armário as xícaras de café da avó eu
disse
e vestia dois panos orientais repetiu suavemente
após lamber os lábios de cima da letra
a catástrofe imaginei ser um terremoto na ilha
quantos milhares atingidos
a casa e suas memórias destroçadas
a letra muçulmana na memória subterrânea
as ânforas trincadas serenamente
nossa posterioridade em minha alma anterior perdida
um dia da paisagem do corpo
nem todas as civilizações nômades
pensei ser a melancolia de um homem
mas perdoei depois pensei ser a morte
mas não sabia meu corpo saliente
afundando no oceano
pensei o que não queria
mas depois todo coração ficou brando
a dor cabia lá acenando lírios
era sim estampada no jornal do dia
homens com lírios no peito
a guerra sem destinação e silenciosa
lembrei de como distendia
até que pousasse em quem nunca fui
uma assombração todos os parágrafos devem ser
encerrados
a prosa de quando nada mais cabe
dentro quando um transbordamento sem destinação.
Três.
Você voltou e acho que eu não estava mais ali
regressei e eles sabiam
de terremotos e vinganças
talvez tudo nunca tenha existido
eles silenciavam e previam
nem a ilha nem qualquer parágrafo de cremação
nem esse sonho em vigília
de uma catástrofe selvagem
apenas meu corpo que se via na praia naquela manhã.
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